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Passo a passo para criar uma estratégia jurídica

Advogados definem estratégia jurídica

A palavra estratégia vem do grego strategia, que originalmente era utilizada no linguajar militar, designando a alguém do grupo, como um general, a obrigação de tornar a guerra um conjunto de ações executadas com perfeição. Significa, de modo geral, plano, método, manobra, para alcançar um objetivo.

Com o passar do tempo, o conceito desse termo foi ampliado para outras áreas que não somente a militar. Estratégia, hoje, é utilizada em diversos setores que têm objetivo de se destacarem e de obterem sucesso no ramo em que atuam. A estratégia jurídica é um desses casos. Quem a utiliza, geralmente traça um plano que pode ser individual ou coletivo, com o intuito de ganhar relevância e visibilidade, de modo off-line ou digital.

Mas como criar uma estratégia? Por onde começar? Como fazer isso legalmente sem ferir a legislação que rege a publicidade na advocacia? Leia os tópicos abaixo para compreender cada passo e colocar a estratégia de marketing jurídico em prática em 2021! 

O que é uma estratégia jurídica?

Todos os profissionais, independentemente do campo em que atuam, após anos de estudo e experiência, querem ser reconhecidos. E isso é um fato, afinal, é uma maneira de elevar a autoestima, e mais que isso, de conquistar visibilidade e ser financeiramente recompensado. Para quem trabalha com público, tomando por exemplo os advogados, é preciso divulgar o trabalho prestado, se tornar referência, e ser recomendado pelo bom desempenho na área em que decidiu atuar. É nesse contexto que entra a estratégia jurídica, pois como é possível fazer tudo isso diante de um mercado que possui tanta concorrência e que exige que leis sejam severamente seguidas?

O primeiro passo é entender como ele funciona. A Lei nº 8.906/1994 que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em seu art. 1º afirma que “é permitida a publicidade informativa do advogado e da sociedade de advogados, contanto que se limite a levar ao conhecimento do público em geral, ou da clientela, em particular, dados objetivos e verdadeiros a respeito dos serviços de advocacia que se propõe a prestar, observadas as normas do Código de Ética e Disciplina e as deste Provimento”.

Além disso, o art. 45 do Código de Ética da OAB ressalta que “são admissíveis como formas de publicidade o patrocínio de eventos ou publicações de caráter científico ou cultural, assim como a divulgação de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos advogados, desde que sua circulação fique adstrita a clientes e a interessados do meio jurídico”.

Pode-se absorver com essas citações que é permitido, sim, que o advogado utilize sua imagem, seu conhecimento e suas habilidades em prol de “auto recomendação”, seja em âmbito virtual ou físico, como palestras, webinar, entrevistas para a imprensa e patrocínio de posts nas redes sociais. O que não pode é fazer o uso dessas informações de forma “mercantilizada”, e que desvie o foco do cerne de seu ofício, que é prestar assistência profissional em assunto jurídico. Por isso, traçar uma estratégia é tão importante – bem como trabalhar com ferramentas e pessoas profissionalizadas.

Qual o objetivo de uma estratégia jurídica?

A partir do momento que isso é considerado, a estratégia jurídica se torna muito mais efetiva, já que cada um desempenha um papel fundamental para a evidência do advogado como referência profissional ou, coletivamente falando, do escritório.

É essa compilação de bons resultados divulgados, atrelado às metas definidas e avaliação de resultados, que comprovam que o plano estratégico tem dado certo. Veja os dois exemplos abaixo para conferir como isso é viável na prática:

  1. O escritório de advocacia especializado em Direito do Trabalho contratou uma agência de comunicação para prestar assessoria de imprensa. Graças a isso, um dos advogados foi entrevistado por uma importante emissora de alcance regional para falar sobre 13º salário. Uma pessoa que estava assistindo e que está tendo problemas com a empresa em que trabalha gostou da postura profissional e da maneira como o assunto foi explicado. Isso a leva a pesquisar o nome do advogado em uma ferramenta de buscas, ela encontra, marca uma consulta e o contrata para representar sua causa.

Sendo assim, se o objetivo ao contratar uma assessoria de imprensa era ganhar visibilidade e, possivelmente, atrair clientela por meio da divulgação de assuntos de relevância pública, a meta foi alcançada.

2.   O advogado criou um LinkedIn para fazer networking. Porém, por considerar a rede social muito influente, começou a produzir conteúdo e a reagir em publicações de outras pessoas. Por ter comentado em um post de um renomado professor de Direito, foi convidado a ministrar uma palestra na prestigiada instituição onde o mestre leciona. Um aluno da turma que o assistiu o parabenizou pela apresentação e disse “você é uma grande inspiração! Qual seu LinkedIn e site para que eu acompanhe outros conteúdos?”.

Sendo assim, se o objetivo era conseguir contato com outras pessoas relevantes no meio advocatício, ganhar notoriedade e reconhecimento em sua área e aumentar a base de seguidores apropriados, a meta ao criar um LinkedIn foi alcançada. 

Impacto da estratégia jurídica no marketing digital

O último exemplo foi baseado em redes sociais porque é inquestionável a importância que essas ferramentas representam na atualidade. De acordo com a pesquisa Global Digital 2019, produzida pela agência We Are Social em parceria com a plataforma de mídia Hootsuite, que coletou dados de 22 milhões de usuários em 45 países, o Brasil tem 140 milhões de usuários ativos nas redes, equivalente a 66% da população. Outro estudo, dessa vez do Ibope Inteligência divulgado em 2020, mostra que 52% dos internautas brasileiros seguem algum influenciador digital, sendo que 74% afirmam que é devido ao conteúdo relevante produzido por ele.

Ou seja, até é possível focar apenas em estratégias off-line para obter resultados e gerar impacto de visibilidade de marca, no entanto, se em paralelo forem criadas estratégias jurídicas vinculadas ao marketing digital, existe uma grande possibilidade de o alcance ser maior. Dessa forma, mais potenciais clientes serão atingidos, mais informação será disponibilizada à população e mais know-how o escritório/advogado terá.

A todo momento vale lembrar do Código de Ética e Disciplina (CED) da OAB, do Conselho Federal da OAB, da Lei nº 8.906/1994 e da Resolução nº 2/2015 do Provimento nº 94/2000.

Tipos de estratégia jurídica

Ao seguir essas instruções legais e utilizar a criatividade, não é tão difícil colocar planos estratégicos em prática. Abaixo estão alguns tipos de estratégia jurídica on e off, que podem e até mesmo devem ser utilizadas para a divulgação e a consolidação do escritório e do advogado.

OFF

  1. Seja atencioso e tenha empatia.

As pessoas gostam de serem ouvidas e saberem que alguém está disposto a, ao menos, tentar entender qual é o problema e encontrar uma possível solução. Por isso, independentemente da área do Direito que o advogado seja especializado, é importante que o cliente se sinta representado. Essa é uma forma de ganhar o respeito de quem procurou o profissional, bem como de garantir uma possível recomendação, aumentando a cartela de clientes. 

  1. Participe de eventos

De tempos em tempos, surgem eventos que são esperados por diversos profissionais. Congressos, conferências, assembleias, simpósios. Nessas ocasiões dá para aprender, renovar o conhecimento e fazer networking, mas também é uma ótima oportunidade para discursar e tornar-se referência e, quiçá, autoridade no assunto. Portanto, é extremamente válido solicitar espaços para palestrar.

Vale salientar que o parágrafo único do art. 32, do CED deixa claro que “quando convidado para manifestação pública, por qualquer modo e forma, visando ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral, deve o advogado evitar insinuações com o sentido de promoção pessoal ou profissional, bem como o debate de caráter sensacionalista”.

  1. Seja visto e lembrado

Além das palestras, uma outra maneira de aparecer para entregar informações úteis para o público é por meio da imprensa. Estar à disposição para comentar assuntos factuais jurídicos, dar entrevistas, escrever artigos que serão publicados em veículos de comunicação e afins são uma ótima maneira de se tornar referência e gerar autoridade. Assim, é possível até mesmo cativar novos clientes.

  1. Seja profissional

Apesar de ter de tornar a linguagem mais acessível dependendo de onde for a palestra ou com o público que se conversa, a postura profissional deve ser mantida, assim como os materiais apresentados. Cores sóbrias, vestimenta adequada e a elaboração de um Power Point bem-feito, por exemplo, são de extrema importância para demonstrar seriedade.

  1. Troque recomendações

Se um cliente que quer resolver pensão alimentícia o procurou pois ouviu falar bem do seu trabalho, mas sua área é previdenciária, não descarte o contato, apenas. Converse com advogados de outras áreas e combine de recomendar um ao outro quando casos como esses acontecerem. Ambos saem ganhando.

  1.  Faça um cartão de visitas

Não há problema nenhum em ter um cartão de visitas profissional, com telefone, endereço, e-mail e logo. O que não pode são propagandas que convidam para a ação, como “ligue e ganhe 15% de desconto na primeira consulta; venha conferir; cadastre-se em nosso site para receber promoções”. Isso fere a legislação e o CED.

ON

  1. Todas as recomendações acima são válidas para as estratégias jurídicas digitais

Não descarte as estratégias acima porque estão separadas em ‘on’ e ‘off’. Converta-as para o ambiente online.

  1. Marketing de conteúdo

O marketing de conteúdo veio para deixar a “banalização” das informações de lado e fazer com o que o redator se preocupe mais com o que está sendo escrito. Como? Pensando qual o público que lerá aquilo, não sendo superficial, trazendo informações relevantes, etc. Para o advogado, é como ser um porta-voz de determinado assunto, levando conteúdo necessário e acessível à audiência – sem que seja autopromoção.

  1. Redes sociais

É permitido ao advogado e ao escritório possuir redes sociais, desde que tenham o intuito de ensinar e prover informação. Mas cabe a esse indivíduo, no entanto, decidir em qual rede faz sentido ter um perfil – a decisão pode ser feita a partir de métricas e estudos de agências especializadas em meios digitais. LinkedIn é uma das mais interessantes, visto que promove debates mais sérios e profundos; Instagram e Facebook são válidos se outros profissionais da área se engajarem e quiserem acompanhar as novidades do ambiente jurídico; YouTube é uma ótima ferramenta para profissionais que querer abordar assuntos de forma mais visual e desenvolta; entre outros adjetivos de cada uma das redes que podem ser benéficos dependendo de como trabalhá-las.

Um adendo que vale elucidar nesse tópico é a utilização de robôs. Poucas empresas têm orçamento para manter o serviço rodando 24h por dia, por isso, investir em inteligência artificial que filtre e/ou solucione algumas dúvidas, o chamado SAC, pode ser uma boa solução. Assim, quando o responsável pela rede social assumir no outro dia, já terá o direcionamento da conversa devido às mensagens automáticas prescritas. 

4. Site

Tenha um site responsivo, bem produzido e com editorias necessárias, como contato; sobre; missão/visão/valores; notícias. Um blog também é muito válido, já que é possível adicionar conteúdos relevantes e exclusivos sobre aquela área do Direito.

5. Search Engine Optimization (SEO)

O famoso SEO é um conjunto de técnicas que constroem o texto a partir de um tema e, principalmente, de uma palavra-chave, que melhora o rankeamento do site no Google e em outras ferramentas de pesquisa. Por isso, é muito importante se atentar à maneira como o conteúdo está sendo escrito. Nesse caso, vale saber o que é content shock (ou embate de conteúdo, em tradução livre) e quando ele acontece: basicamente, existe mais gente produzindo conteúdo sobre temáticas parecidas do que pessoas consumindo. Por isso, os algoritmos do Google filtram o que acreditam ser mais válido para quem está procurando e deixa nas primeiras páginas, fazendo com que alguns conteúdos tenham pouca probabilidade de serem consumidos. 

Passo a passo para elaborar uma estratégia jurídica

Com todas as informações citadas até aqui, já é possível que o escritório ou o advogado saiba como se diferenciar no mercado, mas, para que isso aconteça e se estabeleça, é necessária uma estrutura construída por meio do fortalecimento de imagem e com estratégia jurídica e plano de negócio bem desenhados. Isto é, assim como outros tipos de empresas, o escritório deve conhecer seus diferenciais, concorrentes, ter seus objetivos muito bem traçados e realizar um plano de negócios que compreenda o seu crescimento a longo prazo.

O primeiro ponto é saber o que é e como o escritório se posiciona. Uma maneira objetiva é escrever a sua visão, missão e valores. A missão trata do objetivo final da empresa, destacando os seus diferenciais na entrega dos serviços aos clientes. Já a visão deve ser a declaração do que a empresa espera para o futuro, onde ela quer chegar e o objetivo a longo prazo. Por fim, os valores são as crenças e as capacidades que movem as escolhas realizadas pelo escritório. Essas informações também devem vir acompanhadas de uma visão geral da empresa, com a estrutura societária, de funcionários e histórico. Incluir informações sobre as pessoas envolvidas e detalhes sobre as lideranças também fazem parte do planejamento.

Em seguida, é importante entender qual é o cliente. Definir o público-alvo pode ajudar no posicionamento da empresa, na busca pelos clientes ideais e na assertividade dos objetivos a serem atingidos. Uma das maneiras de ter isso em mente é por meio da estratégia de marketing de criação de persona. Essa “tangibilidade” pode definir o perfil do cliente, com informações pessoais, demográficas, profissionais e possibilidade de busca por um determinado serviço de advocacia. Estar atento às necessidades e desejos dos clientes do dia a dia também são um diferencial.

Além disso, é fundamental entender quem são e o que os concorrentes oferecem. Entender como os serviços são oferecidos, diferenciais de abordagem e atendimento, precificação e de estratégia de negócios pode ser muito importante para perceber e entender novos ramos de atuação e novas possibilidades de crescimento para o negócio. Essa análise de mercado também está alinhada às expectativas para o futuro. É importante realizar uma análise da área de trabalho, suas perspectivas, possibilidade de rentabilização e fazer o negócio crescer. 

Com esses materiais desenvolvidos, é preciso pensar em áreas de importância estratégica da empresa que envolvem administração, gestão e finanças. Em primeiro lugar, é essencial ter o orçamento inicial e previsão mensal de receitas e de custos fixos e variáveis, além das projeções de lucros. Esses são números essenciais que devem ser acompanhados com grande frequência, uma vez que, sem um fluxo de caixa contínuo, a saúde financeira pode ficar complicada e gerar futuras dores de cabeça.

Todo proprietário de escritório deve ter em mente os indicadores chave de desempenho que compreendem o número de clientes e potenciais clientes, número de novos e potenciais casos, número de consultas, índice de satisfação de clientes, contas a pagar e a receber e informações sobre investimentos, reserva financeiras, receitas e despesas. Ter tudo na ponta do lápis é o segredo para não ser pego desprevenido. Para atrair novos clientes também é válido alinhar as estratégias de marketing com as estratégias comerciais da empresa, com aproximação de novos e antigos clientes, além dos setores administrativo e financeiro.

Em relação ao próprio ambiente de trabalho, é importante ter possibilidades de planos de carreira e benefícios de acordo com as metas estabelecidas para os funcionários. É importante que o proprietário também se aprofunde em suas capacidades de liderança para definir os rumos do negócio e esteja cercado de pessoas em quem possa confiar e delegar tarefas e funções estratégicas. Essa é a melhor maneira de se antecipar a problemas e garantir com que todos estejam satisfeitos no ambiente de trabalho. 

Por fim, também é válido pensar em elementos que podem incrementar o negócio como a utilização de plataformas e ferramentas e de outras tecnologias que tragam benefícios aos colaboradores, sejam na parte técnica, administrativa e estratégica da operação.

Como gerir uma estratégia jurídica

Após todos esses detalhes alinhados e estabelecidos, é preciso ter a certeza de que cada ponto será cumprido minuciosamente. Por isso, é interessante criar um comitê com pessoas de diferentes setores, até mesmo terceirizados, na intenção de que cada uma seja responsável por sua área.

Feito isso, é importante marcar reuniões periódicas para que todos sejam atualizados das ações realizadas e das metas que já foram ou que ainda precisam ser cumpridas. Os indicadores devem ser discutidos e, se preciso, modificados todas as vezes em que algum setor perceber que o método utilizado não está sendo o ideal e nem está trazendo resultados.

Se as informações não forem confidenciais, compartilhá-las com mais funcionários por meio de comunicados internos pode ser muito benéfico. É uma maneira de unir mais os colaboradores e fazê-los se sentirem parte, de fato, da empresa.

Ainda sobre o envolvimento de outros funcionários, a prática de Compliance, inserida no meio jurídico em 2013 devido à promulgação da Lei 12846/2013 (Lei Anticorrupção), deve ser aplicada. Isso permite um ambiente transparente, com relações trabalhistas saudáveis e ações de responsabilidade interna e social. 

Importância de manter uma boa estratégia jurídica

Com todos esses passos construídos e estabelecidos, a estratégia jurídica de um escritório ou de um advogado que trabalha sozinho tende a ter um bom desempenho. Para que isso permaneça, é importante revisar metas, contratar equipe qualificada, advogar com seriedade e tentar agir com a menor margem de erros possível.

Isso garante longevidade ao nome e à marca, além de fortalecer a credibilidade no mercado. Dessa forma, é possível atrair mais clientes e ser bem cotado para assumir um caso.

Se ainda ficou dúvidas sobre estratégia jurídica ou quer uma empresa profissional que utiliza ferramentas para tornar sua mídia mais conhecida, fale com a gente!

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