Um olhar estratégico muito além de um simples escritório de Advocacia

Guilherme Barbosa

Com base no oitavo episódio do 3MINDCAST que contou com a presença do advogado Gustavo Pires, sócio da área corporativa do Marins Bertoldi, que está entre os maiores e melhores escritórios de advocacia do Brasil, trazemos alguns insights sobre novos negócios além do marketing jurídico. Principalmente no sentido de olhar para o escritório de advocacia como uma empresa e não apenas como um “prestador de serviço”.

Foram compartilhados insights práticos sobre a forma do MBA gerir aspectos como plano de carreira, posicionamento e outros diferenciais competitivos do escritório de advocacia. Confira os destaques que separamos para você.

Em meio à crise, quais áreas são responsáveis por gerar o maior volume de caixa para o escritório? 

Uma vantagem de ser grande e atuar em várias áreas é conseguir enxergar o mercado dentro de casa. Hoje no Marins e Bertoldi, a área trabalhista está em alta com a onda de demissões geradas pela pandemia. Na parte de consultoria sentimos um aumento com as publicações de medidas provisórias e a necessidade de adaptação de contratos. 

No Direito Tributário a gestão de impostos está sendo uma questão de sobrevivência para muitas empresas. Com isso um bom planejamento tributário é essencial, até para postergar o pagamento de imposto sem que este ato resulte em um crime fiscal. Por isso a assessoria jurídica tem sido fundamental. Percebemos também um maior apetite do empresário por discutir teses de restituição tributária ante à crise, gerando uma demanda maior nessa área. 

No M&A o volume de transações caiu em 40%, mas ainda existem alguns negócios sendo fechados em meio a oportunidades que surgem com a pandemia. Para curto prazo, na área empresarial, o potencial de recuperação de empresas está gerando muita demanda. Vendas de empresas estressadas, com dificuldade de caixa, que precisam trazer um novo sócio ou eventualmente vender o negócio porque não tem fôlego para aguentar a crise já representam 30% das operações de M&A e isso deve aumentar. 

Áreas com relação a LGPD continuam muito quentes, os processos estão sendo retomados. A indefinição do Governo trouxe uma paralisação, mas com as novas notícias sobre a nova lei as empresas estão retomando suas adaptações. Nessa área existem projetos grandes e pequenos, é um mercado novo que está se desenvolvendo. Quem já tem experiência com direito administrativo e compliance consegue atender bem essa demanda e certamente muitos escritórios especializados em direito digital terão muito trabalho pela frente.

Como implementar um “gestor de negócios” no escritório de advocacia?

“Qual é o meu diferencial quanto advogado e quanto escritório?” Essa é a primeira pergunta que um gestor deve fazer. Diversos escritórios falam que são escritórios de advocacia éticos. Isso é obrigação de qualquer advogado, não é um diferencial, é um pré-requisito da profissão, ressalta Gustavo. 

O primeiro ponto para traçar uma estratégia e entender no que você se diferencia, é entender se o mercado demanda esse serviço. Não adianta ser um advogado aeronáutico se isso não gera demanda. Além disso, entender os diferenciais e potencializá-los frente aos competidores é um requisito fundamental, nesse sentido a formação acadêmica pode ser uma vitrine e faz muita diferença na área jurídica. Circular no ambiente empresarial e entender as dores dos empresários também é um diferencial, pois faz você criar remédios para essas dores. 

Fundador que continua tocando o escritório de advocacia sem um plano estruturado para a sua aposentadoria vai ter que fechar as portas em algum momento. Por isso é fundamental desenvolver um plano de carreira, assim quem está entrando percebe que pode se desenvolver a longo prazo e virar sócio, e quem está lá em cima pode sair da sociedade vendendo suas cotas para quem permanece. Com isso o negócio continua vivo, essa é a mentalidade de um escritório de advocacia que pensa no legado como empresa. 

Que modelo de sociedade é melhor para escritórios de advocacia?

Existem alguns modelos disponíveis entre eles o “Eat what you kill” que premia quem gera mais negócios e o de Partnership, onde todo mundo tem uma participação no resultado variável com fixos menores.

Mas antes disso eu preciso me perguntar: o que eu preciso ter no meu time? quem é o advogado completo? É aquele com capacidade técnica para executar os trabalhos e que tenha um talento para geração de negócios. Por fim você também precisa de alguém especializado em gestão de pessoas. 

Na hora de formar um time, as pessoas que irão se envolver em cada área do escritório dependerá do perfil de cada um, cabendo ao gestor equilibrar, mapeando as potencialidades e fraquezas ao longo do tempo. 

O escritório Marins e Bertoldi desenvolveu um programa de PDI (Programa de Desenvolvimento Individual) no qual o colaborador enxerga suas fraquezas, como melhorá-las, e o que tem de virtude e como colocar isso em benefício do escritório de advocacia

Voltando a questão de divisão de resultados existem diversos modelos de participação. Eu entendo que não existe um modelo imutável, é preciso adaptar o modelo para a realidade do negócio – 2 sócios um modelo, 100 pessoas outro modelo, 1000 pessoas um terceiro modelo. 

Envolver pessoas-chave na construção desse modelo é fundamental, ele não pode ser imposto. As pessoas têm que se sentir reconhecidas pela contribuição que elas trazem para o escritório  por meio da meritocracia. Além disso, é essencial ter transparência em relação ao formato como essa divisão de resultados é alinhada e ajustada, tem que fazer sentido para o time (principalmente para o núcleo do escritório que tem uma menor propensão de sair da casa), eles vão replicar a sensação de pertencimento e alinhamento com a cultura do negócio em toda a equipe.

Dica para advogados iniciantes

Na nossa sociedade imediatista, que segue a cultura do click, é mais difícil entender que o direito é uma carreira a longo prazo. Advogado recém-formado não ganha muito dinheiro! Fazer bons estágios ajuda na captação de contatos para conseguir um bom posicionamento ao se formar. 

Abrir um escritório sozinho é difícil, parcerias e sociedades ajudam muito. Fazer parte de um time e entender a perspectiva de crescimento em médio e longo prazo, além de trabalhar com pessoas com as quais você consegue aprender é muito importante. Escolha bons mentores, trabalhe com pessoas que você admira e aprende. Essa é uma riqueza, em termos de carreira, muito maior que um retorno financeiro imediato. 

Aprender muito e ganhar pouco vale mais no longo prazo, pois na advocacia o tempo conta a favor do currículo. Advogado de cabelo branco remete a experiência, credibilidade e confiança. 

Começar essa jornada, seja como empreendedor ou parte de um time, é entender que é uma jornada de aprendizado constante e decisões corretas e um pouco de sorte trazem a chance de ter um retorno financeiro maior.

Formação é tudo, e não só acadêmica, adquirir conhecimento de mercado, estar sempre em busca de novas fontes de conhecimento e networking é essencial para um advogado em qualquer estágio da vida. 

É possível começar esse processo desde a faculdade, não só com colegas, mas também com professores. Relacionamentos abrem portas e fomentarr relacionamentos é muito importante na sustentação do caminho que você escolher.

O que achou dos insights que separamos para você? Se tiver dicas de assuntos para nossas entrevistas de podcast manda pra gente!

Sobre o autor
Guilherme Barbosa

Guilherme Barbosa

Especialista em marketing com ênfase no universo Jurídico. Criador e mentor de novos negócios (startups), e expert em Inteligência analítica e Big Data (PUC-PR). Minha paixão - transformar números, dados e intuições em estratégias eficientes.

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